Desabafo de uma Mulher Cansada de Tudo


 Desabafo de uma Mulher Cansada de Tudo

1) Cansaço que ninguém vê

Eu estou cansada.

Mas não é aquele cansaço de dormir e acordar melhor.

É um cansaço que mora na alma, que pesa no peito, que não passa com descanso.

Todo dia eu acordo com a sensação de que preciso ser forte.

  • Forte para os filhos.
  • Forte para o casamento.
  • Forte para a casa.
  • Forte para o trabalho.
  • Forte para o mundo.

Mas ninguém pergunta se eu estou bem de verdade.

Ninguém percebe que, por dentro, eu estou desmoronando em silêncio.

Às vezes eu queria só parar.

Não fazer nada.

Não ser nada.

Não decidir nada.

Só existir sem cobrança.

Mas ser mulher nunca foi só existir.

2) O casamento que pesa

Eu amo, mas estou cansada de amar sozinha.

Cansada de explicar o óbvio.

Cansada de pedir atenção.

Cansada de me sentir pequena dentro de uma relação que deveria ser abrigo.

No começo era diferente.

Tinha conversa, carinho, planos, sonhos.

Hoje parece que eu virei função:

a que cuida, a que resolve, a que organiza, a que segura tudo.

Às vezes eu olho para o meu parceiro e penso:

“Será que ele percebe o quanto eu estou exausta?”

Mas ele segue a vida como se tudo estivesse normal.

E eu sigo sorrindo… porque se eu parar, tudo cai.

O pior não é brigar.

O pior é se sentir sozinha estando casada

3) A maternidade que ninguém conta

Ser mãe é amor, sim.

Mas também é sobre perder o próprio nome.

Eu deixei de ser mulher muitas vezes para ser só mãe.

Meu tempo virou deles.

Meu corpo virou deles.

Minha mente virou deles.

Eu amo meus filhos, mas às vezes eu queria fugir por alguns minutos.

Não porque eu não os amo,

mas porque eu não aguento mais ser tudo para todo mundo.

Ninguém fala sobre o cansaço emocional de ser mãe.

Ninguém fala sobre a culpa constante.

Ninguém fala sobre o medo de errar.

Ninguém fala sobre o peso de ser referência.

Eu me sinto culpada até por estar cansada.

4) A casa que nunca termina

A casa nunca está pronta.

Nunca.

Eu arrumo hoje, bagunça amanhã.

Eu lavo, suja de novo.

Eu organizo, desorganiza.

Parece que meu trabalho nunca tem fim.

E ninguém percebe.

Se eu faço, é obrigação.

Se eu não faço, é descuido.

Às vezes eu sinto que virei invisível.

Ninguém vê o esforço, só vê o resultado.

E quando eu erro,

o erro é sempre maior que todo o meu esforço.

5) O trabalho e o dinheiro que sufoca!

Eu queria ser independente.

Queria não depender de ninguém.

Queria poder comprar o que eu preciso sem me sentir um peso.

Mas a realidade é dura.

Eu tento, eu crio, eu sonho, eu planejo.

E mesmo assim parece que nada dá certo rápido o suficiente.

Eu me sinto frustrada.

Comparo minha vida com a de outras mulheres.

Vejo elas crescendo, prosperando, conquistando…

e eu me pergunto:

“Por que comigo é tão difícil?”

Às vezes o dinheiro não falta só no bolso.

Ele falta na autoestima.

Na segurança.

Na dignidade.

E isso dói mais do que eu consigo explicar.

6) A raiva que eu escondo

Eu não sou só calma.

Eu também sou raiva.

Raiva de ter que ser forte o tempo todo.

Raiva de não ser reconhecida.

Raiva de ser cobrada por tudo.

Raiva de não ser cuidada como eu cuido.

Mas eu engulo essa raiva.

Porque mulher brava é mal vista.

Mulher cansada é julgada.

Mulher que reclama é chamada de ingrata.

Então eu sorrio.

E por dentro, eu grito.

7) O esgotamento emocional

Chega uma hora que o corpo responde.

Eu fico sem paciência.

Sem energia.

Sem vontade.

Coisas pequenas me irritam.

Palavras simples me machucam.

Silêncios me doem.

Eu me sinto vazia.

Como se eu tivesse dado tudo de mim…

e não tivesse sobrado nada para mim.

Às vezes eu choro sem saber o motivo.

Às vezes eu fico quieta demais.

Às vezes eu me sinto estranha dentro do meu próprio corpo.

E ninguém percebe.

8) A tristeza que parece depressão

Tem dias que levantar da cama é uma batalha.

Não é preguiça.

É peso.

Peso de existir.

Peso de pensar.

Peso de continuar.

Eu me sinto perdida.

Sem direção.

Sem sentido.

Eu faço tudo no automático.

Sorrio no automático.

Respondo no automático.

Por dentro, parece que algo em mim está se apagando lentamente.

E o mais triste é que ninguém vê isso.

Porque eu aprendi a parecer forte.

9) O grito silencioso de uma mulher

Eu não quero ser perfeita.

Eu não quero ser heroína.

Eu não quero ser a mulher que aguenta tudo.

Eu só queria ser vista.

Ouvida.

Cuidada.

Queria que alguém perguntasse:

“Você está bem?”

E realmente quisesse ouvir a resposta.

Queria poder dizer:

“Eu não estou bem.”

Sem ser julgada.

Sem ser criticada.

Sem ser diminuída.

10 A falta de dinheiro que humilha

A falta de dinheiro dói.

Dói não poder comprar o que eu preciso.

Dói ter que pensar dez vezes antes de gastar.

Dói depender de alguém para coisas básicas.

Às vezes eu vou ao mercado e preciso escolher o que deixar na prateleira.

Não porque eu não quero,

mas porque eu não posso.

Eu sinto vergonha de desejar coisas simples.

Vergonha de querer comprar algo para mim.

Vergonha de pedir dinheiro.

Eu me sinto pequena.

A falta de dinheiro não é só financeira.

Ela invade a autoestima.

Invade o casamento.

Invade a maternidade.

Quando falta dinheiro, falta paz.

Eu me sinto presa, limitada, sem escolha.

Como se a minha vida estivesse sempre no modo sobrevivência.

E o pior é que ninguém vê o quanto isso machuca

10) O que eu realmente queria dizer

Eu estou cansada…

mas ainda estou aqui.

Ainda tentando.

Ainda lutando.

Ainda acreditando que minha vida pode ser diferente.

Talvez eu não esteja fraca.

Talvez eu só esteja sobrecarregada.

Talvez eu não esteja perdida.

Talvez eu só esteja cansada de viver uma vida que não me inclui.

E no fundo, no silêncio do meu coração, eu me pergunto:

Quem cuida de quem sempre cuida de todo mundo?



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